Nos últimos meses, perfis desconhecidos na internet, especialmente nas plataformas Facebook e Instagram, têm intensificado a divulgação de manchetes alarmistas sobre supostos surtos e epidemias no Brasil envolvendo doenças como o Vírus Nipah, uma chamada “Gripe K” e até variantes graves da Monkeypox. As publicações, frequentemente apresentadas com aparência jornalística e linguagem técnica, buscam transmitir credibilidade, mas não apresentam fontes oficiais verificáveis nem respaldo científico confiável.
O conteúdo costuma seguir um padrão: títulos impactantes, tom urgente e mensagens que sugerem risco iminente à população. Apesar da aparência profissional, muitas dessas postagens não citam órgãos de saúde reconhecidos, instituições científicas ou dados confirmados por autoridades sanitárias. Em diversas ocasiões, o próprio Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, já precisou vir a público para desmentir informações falsas que circulavam amplamente nas redes sociais.
Especialistas em comunicação digital apontam que o principal objetivo desses perfis não é informar, mas sim gerar engajamento. O medo e a sensação de emergência aumentam compartilhamentos, comentários e visualizações, o que impulsiona algoritmos e amplia o alcance das publicações. Esse crescimento artificial de audiência acaba se convertendo em ganhos financeiros por meio de monetização, publicidade e outras ferramentas digitais disponíveis nas plataformas.
Além do impacto econômico para os responsáveis pelas páginas, o efeito social dessas publicações é preocupante. A disseminação de informações não verificadas pode provocar pânico coletivo, sobrecarregar serviços de saúde com informações falsas e enfraquecer a confiança da população em comunicações oficiais.
Críticos também apontam a responsabilidade das plataformas digitais nesse cenário. A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, é frequentemente questionada por permitir a circulação recorrente desse tipo de conteúdo, mesmo diante de denúncias e desmentidos públicos. Para especialistas, a ausência de fiscalização mais rigorosa contribui para que a desinformação continue se espalhando de forma ampla e organizada.
O fenômeno evidencia um desafio contemporâneo: distinguir informação jornalística legítima de conteúdos produzidos exclusivamente para manipular emoções e gerar lucro. Em tempos de comunicação instantânea, a verificação das fontes e a consulta a canais oficiais tornam-se medidas essenciais para evitar que o medo seja utilizado como ferramenta de audiência e exploração digital.
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