Um episódio ocorrido há poucos meses em Além Paraíba voltou a ganhar repercussão após o relato da mãe de um jovem que foi abordado pela polícia, teve o carro alvejado por disparos e acabou preso, sendo posteriormente libertado por decisão judicial. A mulher, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou que pretende ingressar com ação judicial contra o Estado, alegando abuso, violência e danos psicológicos à família.
Segundo o relato, o jovem teria sido abordado por policiais da Polícia Militar de Minas Gerais quando estava parado em uma rodovia, a caminho da propriedade rural de seu pai, um idoso com quase 80 anos e com início de doença de Alzheimer, localizada em São Domingos, Distrito de Aventureiro, zona rural do município de Além Paraíba.
Ainda de acordo com a mãe, durante a abordagem o rapaz teria se apavorado e seguido em direção à propriedade do pai. Nesse momento, conforme o relato, “muitos tiros” teriam sido disparados contra o veículo, causando pânico e temor pela vida do jovem.
O que a mãe descreve como um “pesadelo” teria continuado quando os policiais chegaram à propriedade rural da família. Ela afirma que a casa foi invadida, com móveis e utensílios revirados e lançados ao chão durante as buscas. O pai do rapaz, idoso, teria sido obrigado a permanecer deitado no chão, situação que, segundo a família, causou profundo abalo emocional. A mãe, que tem cerca de 70 anos, disse ter temido pela integridade do marido e dos filhos durante toda a ação.
Outro ponto que agravou o sofrimento, segundo a declarante, foram os boatos que circularam na cidade, dando conta de que seu filho estaria portando armas de grosso calibre e teria ligação com o crime organizado. Ela nega veementemente essas versões e afirma que o jovem nunca cometeu crimes nem apresentou conduta inidônea.
Com a concessão de habeas corpus pela Justiça, o jovem foi colocado em liberdade. Para a família, a decisão reforça o entendimento de que as acusações não se sustentaram. Diante disso, a mãe anunciou que irá processar o Estado de Minas Gerais, buscando indenização e outras medidas legais, alegando que a atuação policial foi truculenta, desproporcional e deixou marcas profundas de trauma psicológico nela, no esposo, na filha e no próprio filho.
O caso deverá agora ser analisado na esfera judicial, onde a família afirma esperar responsabilização e reparação pelos danos sofridos.
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