O zolpidem, um dos medicamentos mais utilizados no Brasil para combater a insônia, tornou-se motivo de preocupação entre médicos e autoridades sanitárias diante do crescimento do consumo e, principalmente, do uso inadequado. O remédio é um hipnótico indicado para tratamento de curta duração de pessoas com dificuldade para iniciar ou manter o sono.A venda do medicamento atingiu níveis elevados a partir de 2020, ampliando o alerta para situações de automedicação, prolongamento do tratamento e utilização de doses superiores às recomendadas.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o tratamento deve ser o mais curto possível e, de maneira geral, não ultrapassar quatro semanas. O risco de abuso e dependência aumenta conforme a dose e o tempo de utilização.Entre os efeitos preocupantes relacionados ao zolpidem estão alucinações, sonambulismo e episódios nos quais a pessoa pode caminhar ou realizar outras ações sem plena consciência, podendo posteriormente não se recordar do ocorrido. Há também risco aumentado de quedas e fraturas.
Outro problema é a tolerância, situação em que o organismo passa a responder menos ao medicamento, favorecendo o aumento das doses e elevando o risco de dependência quando o uso é prolongado.Diante das preocupações, desde agosto de 2024 todos os medicamentos à base de zolpidem, independentemente da concentração, passaram a exigir Notificação de Receita B, a chamada receita azul, para prescrição e venda no Brasil.
O zolpidem continua sendo uma alternativa terapêutica importante contra a insônia, mas está longe de ser um medicamento inofensivo. Seu uso deve ocorrer sob orientação médica, na dose prescrita e pelo período recomendado, evitando transformar a busca por uma boa noite de sono em um problema ainda maior.