A vacina Butantan-DV, primeira contra a dengue produzida por um laboratório brasileiro e aplicada em dose única, teve sua estratégia de uso temporariamente interrompida pelo Ministério da Saúde em 8 de junho de 2026. A decisão foi tomada por precaução após a identificação de 42 eventos raros com sinais de alerta, incluindo três casos graves e dois óbitos, que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.
Até o início de setembro, não foi localizada comunicação oficial anunciando a retomada da aplicação. A Anvisa mantém a vacina registrada, mas criou um painel de especialistas para aprofundar a análise de segurança e reavaliar seu perfil de benefício e risco. O imunizante havia sido aprovado para pessoas entre 12 e 59 anos e apresentou, nos estudos clínicos, eficácia geral de 83,2% nos dois primeiros anos e de 91,6% contra formas graves após cinco anos.
Enquanto isso, existe outra alternativa já utilizada no Brasil: a Qdenga, produzida pela Takeda. Registrada pela Anvisa para pessoas de 4 a 60 anos, ela é aplicada em duas doses com intervalo de três meses. No SUS, a estratégia de 2026 contempla principalmente crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com distribuição ampliada nacionalmente.
Há ainda a Dengvaxia, da Sanofi, indicada somente para pessoas entre 6 e 45 anos que já tiveram dengue, em esquema de três doses.
A preocupação aumenta com a chegada da primavera e do verão. O El Niño já está configurado e deverá persistir até o verão de 2026/2027, mas seus efeitos não significam mais chuva em todo o Brasil: tende a favorecer chuvas acima da média principalmente no Sul e condições mais secas em partes do Centro-Norte.
Independentemente da vacina, eliminar água parada continua sendo fundamental, já que calor e períodos chuvosos favorecem a proliferação do Aedes aegypti e podem aumentar o risco de novas epidemias.