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Em tempos de isolamento, Dom Edson Oriolo, Bispo de Leopoldina, tem sido uma inspiração e uma voz de esperança para os Católicos da Região com textos e mensagens que tanto acalentam os corações

Em tempos de isolamento, Dom Edson Oriolo, Bispo de Leopoldina, tem sido uma inspiração e uma voz de esperança para os Católicos da Região com textos e mensagens que tanto acalentam os corações

17/04/2020 22h54 Atualizada há 6 anos
Por: Editorchefe
Foto: Reprodução
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O Bispo de Leopoldina, Dom Edson Oriolo, empossado em janeiro como Governante da Diocese de Leopoldina, portanto Bispo de Além Paraíba vem implementando seu estilo de "bom pastor" e líder espiritual dos Católicos.

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Com seu enorme preparo teológico, Dom Edson, autor de vários livros, usa seus dons para se comunicar com o povo de Deus. Com mensagens de esperança que tanto acalmam os corações nestes tempos de tribulação, o Bispo alcança seu rebanho e faz-se presente na vida da Igreja como há muito não se via na Diocese. Em 17 de abril, Dom Edson publicou mais uma vez nas redes sociais e páginas da Diocese um belo texto que aqui replicamos: *“O imperativo de um novo diálogo evangelizador, redimensiona a nossa metodologia e nos leva a rever conceitos”*

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“O tempo é superior ao espaço” ensina o Papa Francisco. As categorias clássicas das ciências da natureza se tornaram, portanto, um elemento primordial no pensar pastoral. De fato, tempo e espaço são conceitos de destacada preeminência na vida do Homo Sapiens (Szamosi, 1994), que influenciam todas as relações humanas, deles não prescindindo o anúncio da Boa Nova revelada.

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Aristóteles concebe o espaço como um lugar, ou seja, posição de um corpo em relação aos outros (Abbagnano, 2003) e o tempo como a medida do movimento segundo o antes e o depois (Aristóteles, 1931, IV, 17). O tempo é fluido e seu fluxo é constante. O espaço é fixo e permanente.

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Nas circunstâncias em que estamos vivendo, as discussões sobre a dinâmica da evangelização, mesmo que não nos seja perceptível, tem por “pano de fundo” a relação entre tempo e espaço. É importante que a clareza de conceitos conduza nossas iniciativas para não mergulharmos no vazio, sobretudo em situação inédita, inusitada e incerta. Que o tempo de pandemia nos ensine alguma lição!

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A preocupação em “lançar as sementes do Verbo”, pela pregação da Palavra e a celebração dos mistérios da fé, em tempos de pandemia, causa implicações graves, não apenas no cumprimento de nossa vocação eclesial, mas, sobretudo, na própria compreensão da missão evangelizadora.

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Embora se evidencie com maior intensidade na situação atual, a percepção de que o tempo vem mudando a noção de espaço, não é totalmente nova. Ao largo dos apelos do Concílio Vaticano II, Evangelii Nuntiandi e da Evangelii Gaudium, não assumimos que o tempo está impondo um novo espaço, o virtual.

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A pandemia torna mais explícito que estamos geograficamente próximos, mas nossa comunhão, quando acontece, é virtual. O nosso tempo é real, mas o espaço que temos para evangelizar é diversificado. O resultado é um novo modelo de querigma, que enseja frutos, mas inspira, por outro lado, questionamentos.

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As comunidades eclesiais missionárias, que são a visibilidade da Igreja (cf. SC 7), lugar do encontro com Cristo, da partilha, e da convivência, estão fragmentadas, fruto das imposições sanitárias, expressando-se, agora, nos ecrãs virtuais. Um dos desafios mais prementes é a dificuldade de celebrar os mistérios da fé. Fomos catequizados para rezar, mas não para celebrar a nossa fé, ainda mais nos espaços externos ao culto.

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Corremos o risco de supervalorizar e considerar ser o bastante a assistência dos ritos religiosos pelos meios de comunicação, ignorando a grave deficiência de não sabermos celebrar a fé no espaço familiar, resultado de uma catequese deficitária que não potencializa uma vivência intensa da fé fora do espaço sagrado. A relação confusa entre celebração eucarística e culto da eucaristia, tão notória nas últimas semanas, demonstra como a devoção descontextualizada, revela uma teologia litúrgica e sacramental muito frágil, com possíveis consequências para a evangelização.

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No entanto, há também sinais positivos. Para encetarmos métodos e melhorar a dinâmica da evangelização, na perspectiva da auto-organização no tempo e no espaço, basta focar a máxima de Francisco, na exortação apostólica Evangelli Gaudium (cf. 222-225), quando afirma que o “tempo é superior ao espaço”. Esta expressão, no pensamento de Francisco, é muito importante, pois aparece na Lumen Fidei (LF), n. 57, na Laudato Si (LS), n. 178, na Amoris Laetitia (AL), n. 261 e, recentemente na Christus Vivit (CV), 297.

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Quando Francisco faz esta afirmação, ele quer dar centralidade ao tempo em prol do Reino de Deus, mas sem pressa e sem obsessão por resultados imediatos. Dar prioridade ao tempo em relação ao espaço é ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços. É privilegiar ações que geram novos dinamismos na sociedade, comprometendo pessoas ou grupos que realizarão ações que frutifiquem em testemunhas eclesiais mais condizentes com os novos tempos e espaços sociais.

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Focar o tempo em relação ao espaço implica em não se deixar seduzir por meras ações conjunturais, mas ser capaz de traçar caminhos, definir estratégias, desencadear processos que façam germinar novas realidades e estar disponível para potencializá-las. Nesta perspectiva, devemos investir nas pessoas, ou melhor, no protagonismo da pessoa – imagem de Deus. A lógica de Deus é caminho, processo, diálogo, comunhão, missão, cultura, participação, encontro para transformar quem temos à nossa frente e nunca ferir a dignidade.

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O primeiro desafio é chegar até as pessoas. A experiência eclesial exige proximidade, que gera o sentimento de pertença. Embora o isolamento social esteja limitado a um período de tempo e não represente um afastamento social prolongado de pessoas que não desejam conviver socialmente como os hikikomori (jovens que se afastam da convivência social), o imperativo de um novo diálogo evangelizador, redimensiona a nossa metodologia e nos leva a rever conceitos.

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A evangelização precisa de “processos possíveis e estrada longa”. A esperança que sustenta a caminhada é ser capaz de gerar processos, ações que tragam transformações e mudanças profundas. Sair da pastoral de manutenção para uma pastoral que forme discípulos missionários, que seja profética e misericordiosa. A pastoral deve ser planejada, dando superioridade ao tempo sobre o espaço como estratégia para, a longo alcance, chegar à plenitude.

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Precisamos assumir, não apenas no contexto da pandemia, mas como imperativo de um novo tempo, a urgência de trabalhar conceitos como: evangelizar, administrar, partilhar, catequisar, celebrar, rezar / orar, contemplar, meditar… Julga-se que acompanhar um ritual pela TV ou on-line é o suficiente, mas isso pode estar no nível do antigo “assistir missa”. É inegável que há um valor, sobretudo em situações como a atual ou para pessoas impedidas de participar de nossas assembleias, mas, em termos de teologia pastoral, é preciso priorizar uma catequese efetiva e mistagógica, proativa e resiliente.

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Francisco convida a Igreja a recuperar o frescor original do Evangelho, do qual “despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual” (EG, 11).

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