A farmacêutica EMS anunciou que a primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil será comercializada com preços a partir de R$ 452. O medicamento, utilizado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, estará disponível no mercado a partir do próximo dia 15 de junho. O anúncio foi realizado durante um evento fechado voltado para médicos e profissionais do setor farmacêutico. A expectativa da empresa é tornar o tratamento mais acessível aos pacientes, uma vez que os medicamentos à base de semaglutida atualmente disponíveis no país podem custar cerca de R$ 1 mil por mês.
A chegada da versão nacional ocorre após a expiração da patente que pertencia à fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelos medicamentos Ozempic e Wegovy. A EMS foi a primeira empresa brasileira a obter aprovação para comercializar uma versão nacional da substância.Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a empresa a praticar preços máximos semelhantes aos dos produtos já existentes no mercado, em torno de R$ 800 por caneta. No entanto, a farmacêutica havia prometido trabalhar com valores significativamente menores.
Com o preço inicial fixado em R$ 452, a nova caneta chega custando praticamente metade do valor cobrado por algumas versões atualmente disponíveis, aumentando a concorrência no setor e ampliando as opções para pacientes que necessitam do tratamento.O alto custo da semaglutida foi, inclusive, um dos fatores que dificultaram sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Embora a possibilidade tenha sido debatida nos últimos anos, a proposta acabou não sendo aprovada devido ao impacto financeiro que a medida representaria para os cofres públicos.
A redução dos preços também reflete as mudanças ocorridas no mercado após o fim da exclusividade da patente. Com a perspectiva de entrada de novos concorrentes, a própria Novo Nordisk promoveu ajustes nos valores de seus produtos para manter a competitividade. Até o início deste ano, pelo menos 17 pedidos de registro de versões nacionais do medicamento estavam em análise pela Anvisa.Especialistas acreditam que o aumento da concorrência poderá contribuir para a redução gradual dos preços e ampliar o acesso ao tratamento da obesidade, doença que afeta milhões de brasileiros e está associada a diversos problemas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.