O Brasil está avançando nas pesquisas e na ampliação das estratégias de prevenção ao HIV, vírus causador da Aids. Entretanto, informações sobre os estudos em andamento precisam ser interpretadas corretamente: a pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) utiliza o lenacapavir, um medicamento injetável de ação prolongada, e não uma vacina contra o HIV. A iniciativa, denominada ImPrEP LEN Brasil, foi anunciada para avaliar a utilização dessa tecnologia preventiva e contribuir com as decisões sobre sua eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O estudo prevê participação em sete municípios: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu. O público inicialmente contemplado inclui homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas do sexo masculino ao nascer e pessoas trans, com idades entre 16 e 30 anos. O lenacapavir atua impedindo etapas essenciais do ciclo de reprodução do vírus e, quando utilizado conforme a indicação médica, oferece proteção preventiva com aplicação subcutânea a cada seis meses. Antes de iniciar a profilaxia, é necessário confirmar que a pessoa não está infectada pelo HIV.
A Anvisa aprovou o medicamento para prevenção do HIV-1 em janeiro de 2026, conforme as indicações autorizadas. Isso, porém, não significa que exista uma vacina disponível capaz de imunizar a população contra o vírus. Uma vacina tem como objetivo estimular o sistema imunológico a desenvolver uma resposta protetora, enquanto a profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, utiliza medicamentos para impedir que a infecção se estabeleça. O desenvolvimento de uma vacina eficaz continua sendo um desafio científico internacional, e pesquisas anteriores foram encerradas por não demonstrarem proteção suficiente. Atualmente, o SUS oferece diferentes medidas preventivas, incluindo preservativos, testagem, PrEP oral e profilaxia pós-exposição (PEP), indicada após uma possível exposição ao vírus. Portanto, a notícia sobre os testes brasileiros tem fundamento quando se refere à pesquisa com medicamentos preventivos, mas é imprecisa se afirma que o país está testando uma vacina contra o HIV. A distinção é essencial para informar corretamente a população sobre os avanços científicos e as opções de prevenção disponíveis.