Últimas Notícias
ALÉM PARAÍBA MG

Mais lidas

FAMA NAS REDES NÃO GARANTE MANDATO

Caneta Azul, Menina da Bota e Tiririca estão entre os nomes conhecidos que não conseguiram transformar popularidade em eleição
Carregando notícia...

As Eleições 2026 deixaram uma mensagem clara para celebridades e personagens que decidiram ingressar na política: fama não significa necessariamente votos suficientes para conquistar um mandato. Nomes conhecidos do público por músicas, televisão, humor e redes sociais chegaram às urnas cercados de notoriedade, mas vários terminaram a disputa sem conseguir uma cadeira no Legislativo. Entre eles estão Manoel Gomes, o Caneta Azul, Maria José Mendes da Cruz, conhecida como Menina da Bota, e o humorista Tiririca. Caneta Azul disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo Avante e recebeu 7.239 votos. Apesar de ter ficado conhecido nacionalmente depois que sua música viralizou nas redes sociais, a votação não foi suficiente para garantir sua eleição. A Menina da Bota, que ganhou milhões de seguidores nas redes sociais, concorreu a deputada federal por Minas Gerais pelo União Brasil. Ela recebeu aproximadamente 9.780 votos e também ficou fora da Câmara dos Deputados. Já Tiririca tentou uma nova eleição para deputado federal, desta vez pelo Ceará, depois de quatro mandatos consecutivos representando São Paulo. O humorista recebeu 5.523 votos e não conseguiu retornar à Câmara.

A situação mostra que o eleitor pode reconhecer uma personalidade e, ainda assim, não considerá-la preparada ou adequada para exercer um mandato. A popularidade conquistada na internet pode produzir milhões de visualizações, mas não necessariamente se transforma em votos. Nas eleições proporcionais, além da votação individual, entram em cena fatores como desempenho partidário e quociente eleitoral. Isso significa que uma candidatura precisa reunir não apenas notoriedade, mas também estrutura política e votação suficiente para conquistar uma cadeira. A eleição de 2026 registrou diversos outros casos de personalidades conhecidas que ficaram fora do Congresso Nacional. Entre elas estão nomes da televisão, do humor, da internet e de diferentes áreas da cultura popular. O resultado demonstra que a transferência automática da fama para a política não é uma regra.

O eleitorado pode acompanhar diariamente uma celebridade pelas redes sociais sem necessariamente desejar vê-la ocupando um cargo público. No caso de Tiririca, a trajetória é ainda mais significativa porque ele já havia conseguido enorme votação em eleições anteriores. Em 2010, o humorista foi eleito deputado federal por São Paulo com cerca de 1,3 milhão de votos. Ao longo dos anos seguintes, sua votação caiu progressivamente até chegar aos 5.523 votos obtidos na tentativa de retornar pela bancada cearense. Caneta Azul e Menina da Bota também demonstraram que grande alcance digital não substitui automaticamente a construção de uma carreira política. A eleição, mais uma vez, separou a popularidade artística da capacidade de reunir apoio eleitoral suficiente. O fenômeno serve de alerta para partidos que apostam em nomes famosos como forma rápida de ampliar sua votação. Ser conhecido pode abrir portas para uma candidatura, mas conquistar um mandato depende da decisão soberana dos eleitores nas urnas.