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ELEITOR DE ALÉM PARAÍBA PARECE APÁTICO DIANTE DAS ELEIÇÕES QUE ACONTECEM DAQUI A UM MÊS

Desinteresse percebido nas ruas acompanha fenômeno observado em todo o País de descrença nas instituições e zero entusiasmo com candidatos e campanhas
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Faltando exatamente um mês para as eleições de 4 de outubro, chama a atenção em Além Paraíba a aparente apatia de grande parte do eleitorado. Mesmo considerando que não se trata de uma eleição municipal — quando naturalmente as disputas locais despertam maior envolvimento —, há muito tempo não se percebia uma campanha tão fria na cidade.

As conversas políticas parecem menos frequentes, a movimentação nas ruas é discreta e até mesmo lideranças e políticos locais, tradicionalmente empenhados em pedir votos para seus candidatos a deputado, senador, governador e presidente, têm sido vistos com menor intensidade nas atividades de campanha.A percepção encontrada em Além Paraíba, entretanto, não parece ser um fenômeno isolado. Pesquisa Quaest realizada em agosto apontou que 63% dos entrevistados estavam pouco ou nada interessados nas eleições. Entre os eleitores considerados independentes, esse percentual chegou a 80%.

Outro estudo, realizado pelo Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), identificou crescimento da indiferença, da rejeição e do desalento na relação dos brasileiros com a política. A pesquisa mostra que a indiferença aumentou sete pontos percentuais em comparação com levantamento de 2006.Analistas apontam diferentes razões para esse comportamento. O desgaste provocado por sucessivos escândalos, denúncias e suspeitas de corrupção, a sensação de impunidade, a permanente troca de acusações entre grupos políticos, a polarização e a percepção de que o Congresso nem sempre prioriza questões consideradas urgentes pela população contribuem para aumentar o distanciamento.

O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, avalia inclusive que a sucessão de escândalos pode provocar uma espécie de banalização das denúncias: um caso rapidamente é substituído por outro, fazendo com que parte do eleitorado passe a enxergar tudo como mais um “ruído” da política.Reportagem da Reuters publicada nesta semana também registra uma campanha nacional excepcionalmente discreta e aponta o cansaço com a polarização como um dos fatores relacionados à apatia observada nas ruas.

Em Além Paraíba, pelo menos até agora, o cenário parece reproduzir esse sentimento nacional. A campanha existe, os candidatos pedem votos e as lideranças se movimentam, mas falta aquele entusiasmo eleitoral facilmente percebido em outros anos.Resta saber se, nestes últimos 30 dias, a campanha finalmente ganhará as ruas ou se o eleitor além-paraibano chegará às urnas mantendo o mesmo distanciamento que demonstra neste momento. A apatia, afinal, também transmite uma mensagem política — e talvez uma das mais preocupantes: a de um eleitor que continua votando, mas parece cada vez menos convencido de que seu voto será capaz de mudar alguma coisa.