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DEPRESSÃO SEM TRATAMENTO PODE COLOCAR A VIDA EM RISCO

Doença verdadeira e tratável exige atenção aos sintomas, acompanhamento profissional e cuidado especial diante de pensamentos suicidas
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A depressão não é simplesmente tristeza, fraqueza ou falta de vontade. Trata-se de uma doença mental verdadeira, capaz de alterar o humor, os pensamentos, o sono, o apetite, a energia e a capacidade de trabalhar e manter relações. O Ministério da Saúde alerta que ela está entre as doenças mais associadas ao suicídio e pode tornar-se crônica ou recorrente quando não tratada adequadamente. Não existe uma única causa para a depressão. Ela resulta da interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos e sociais. Histórico familiar, traumas, perdas importantes, conflitos afetivos, desemprego, dificuldades financeiras, estresse prolongado, doenças crônicas, alterações hormonais, ansiedade e abuso de álcool ou outras drogas podem aumentar o risco. A ocorrência de acontecimentos difíceis não significa, porém, que todas as pessoas desenvolverão depressão.

Entre os sinais mais comuns estão tristeza persistente, perda do prazer por atividades antes agradáveis, isolamento, cansaço intenso, falta de iniciativa, irritabilidade, sentimentos de culpa ou inutilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono e do apetite e redução do interesse sexual. Também podem surgir dores e outros sintomas físicos sem explicação evidente. Quando esses sintomas permanecem durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por cerca de duas semanas ou começam a prejudicar a vida cotidiana, é recomendável procurar avaliação médica ou psicológica.Nos casos mais graves, a depressão pode produzir profunda desesperança. A pessoa passa a enxergar a si mesma, seus problemas e o futuro de maneira extremamente negativa, podendo acreditar que seu sofrimento nunca terminará ou que se tornou um peso para a família. Esse estado pode provocar pensamentos de morte como uma tentativa de interromper uma dor emocional considerada insuportável. Isolamento, impulsividade e uso de álcool ou drogas podem aumentar ainda mais o perigo. O suicídio, entretanto, é um fenômeno complexo e não acontece por uma única razão.

Falas frequentes sobre morte, desejo de desaparecer, sensação de não haver saída, abandono das atividades, isolamento repentino, comportamento muito impulsivo ou menções a suicídio devem ser levadas a sério. Pensamentos de morte ou de autoagressão representam motivo para procurar ajuda profissional imediatamente, e situações de risco iminente exigem atendimento de urgência. Não se deve esperar que a pessoa “melhore sozinha” nem tratar esse tipo de manifestação como simples busca de atenção.O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combinação dos dois. Entre os antidepressivos utilizados estão os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina e escitalopram; os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como venlafaxina e duloxetina; além de outros grupos, como antidepressivos tricíclicos e medicamentos como bupropiona. A escolha depende da intensidade dos sintomas, doenças associadas, outros medicamentos utilizados, efeitos colaterais e histórico do paciente, devendo sempre ser feita por médico.

Antidepressivos não produzem efeito completo de um dia para o outro. Em geral, podem ser necessárias quatro a oito semanas para que o benefício se torne mais evidente, embora sono, apetite e concentração possam melhorar antes do humor. Por isso, abandonar ou modificar o medicamento por conta própria pode comprometer o tratamento e provocar problemas relacionados à retirada.Também não existe um prazo único para se falar em “cura”. Muitos pacientes entram em remissão, isto é, deixam de apresentar sintomas importantes, mas o tratamento costuma ser mantido por meses para diminuir o risco de recaída. Em um primeiro episódio, frequentemente se recomenda continuar o antidepressivo por pelo menos seis meses após a remissão; pessoas com episódios repetidos ou maior risco de recaída podem necessitar acompanhamento por períodos mais longos.

A depressão tem tratamento e quanto mais cedo for reconhecida, maiores são as possibilidades de recuperação e de retomada da qualidade de vida. Psiquiatras, psicólogos e médicos da atenção básica podem participar desse cuidado, e casos mais complexos podem ser acompanhados em serviços especializados. Procurar ajuda diante dos primeiros sinais não é exagero: pode impedir o agravamento da doença e, em situações extremas, salvar uma vida.