A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que monitora atualmente mais de 900 casos suspeitos de Ebola em países da África Central. Até o momento, 101 casos já foram oficialmente confirmados pelas autoridades sanitárias internacionais.O novo surto da doença foi identificado inicialmente em 15 de maio, na República Democrática do Congo (RDC). Apenas 48 horas depois, outros dois casos sem ligação aparente entre si foram confirmados em Kampala, capital de Uganda, aumentando a preocupação das autoridades de saúde devido à velocidade da disseminação.
Diante do avanço da doença, a OMS declarou, em 17 de maio de 2026, emergência de saúde pública de preocupação internacional. Na última sexta-feira (22), a agência elevou o nível de risco da epidemia na RDC de “alto” para “muito alto”, o patamar máximo de alerta.Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, um dos fatores que tornam o cenário ainda mais preocupante é a falta de ferramentas médicas eficazes para combater a variante atual do vírus. Diferentemente das cepas Ebola-Zaire, para as quais já existem vacinas aprovadas, o vírus Bundibugyo ainda não possui imunizante específico nem tratamento terapêutico comprovado.
Especialistas ressaltam, porém, que o Ebola não possui transmissão aérea ou à distância. O contágio ocorre apenas mediante contato direto e significativo com secreções corporais de pessoas infectadas, o que diferencia a doença de enfermidades respiratórias como a Covid-19 e o sarampo.Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para complicações hemorrágicas severas, incluindo queda de plaquetas, hipotensão, choque e sangramentos nas mucosas e no trato gastrointestinal, apresentando semelhanças com os quadros graves de dengue hemorrágica.
O período de incubação do vírus varia entre dois e 21 dias, geralmente manifestando sintomas entre cinco e dez dias após a infecção. Durante esse período de incubação, a pessoa contaminada ainda não transmite a doença.