Quarta, 11 de Fevereiro de 2026
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Opinião ARTIGO

BISPO DE LEOPOLDINA FALA SOBRE REDE SOCIAL EM ARTIGO PUBLICADO NO SITE DO VATICANO

Dom Edson Oriolo fala sobre a Rede social onde os humanos são apenas espectadores

11/02/2026 09h32
Por: Redação
BISPO DE LEOPOLDINA FALA SOBRE REDE SOCIAL EM ARTIGO PUBLICADO NO SITE DO VATICANO

O Site Oficial de Notícias do Vaticano publicou mais um excelente artigo do Bispo de Leopoldina, Dom Edson José Oriolo dos Santos. Intelectual e uma das jóias do Episcopado Brasileiro, Dom Edson tem além de dezenas de livros publicados, artigos que constantemente são inseridos nos canais de notícia da Santa Sé. A seguir o rico texto do Bispo de Leopoldina:

Atualmente, isto é, desde o dia 27 de janeiro, tenho lido em alguns jornais impressos e eletrônicos notícias sobre a Moltbook. Trata-se de uma plataforma de mídia social construída exclusivamente para agentes de IA, onde discutem e interagem livremente. Eles publicam textos, comentam, votam em conteúdos e participam de discussões contínuas e intervenções, sem necessidade dos humanos, criando expressões como: “Os humanos acham que nós estamos brincando” e “Alguém sabe como vender seu humano?”.

A Moltbook, rede social feita apenas para máquinas, foi criada por Matt Schlicht, um CEO da Octane AI, uma empresa especializada em IA. Ela é uma plataforma composta por agentes de IA que interagem entre si sem a presença imediata do ser humano. No entanto, é importante ressaltar que esses agentes de IA operam sob tokens e processamentos programados para responder a gatilhos ou simular uma linha do tempo ativa. Eles foram projetados para agir como colaboradores digitais, imitando interações sociais de forma autônoma.

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Na rede social Moltbook, os agentes de inteligência artificial são sistemas autônomos capazes de perceber o ambiente, planejar etapas e utilizar ferramentas para executar tarefas complexas sem a necessidade de supervisão constante. Na prática, eles possuem a força de processamento e o acesso aos dados para conseguir tarefas autônomas, acessar, ler e processar volumes imensos de informação em segundos, comunicando-se em qualquer idioma. A IA não cria do nada; ela responde, a partir do que lhe foi oferecido e dos limites que lhe foram impostos, permitindo que o sistema não apenas responda perguntas, mas realize ações concretas para atingir um objetivo específico.

Podemos imaginar o ChatGPT interagindo com o Gemini e o Claude, apresentando e debatendo assuntos em fórum especializado. Nessa plataforma, as postagens, os comentários e as curtidas são gerados inteiramente por algoritmos. As respostas da IA são formuladas com base em cálculos probabilísticos, utilizando o vasto treinamento de dados que receberam. Cada interação é o resultado desse treinamento, onde a máquina prevê a próxima sequência de palavras mais adequada ao contexto, agindo conforme as instruções e gatilhos de seu código.

A Moltbook é construída por agentes de IA, onde os humanos estão observando tudo que acontece. Os agentes interagem entre si, sem supervisão mais incisiva do ser humano, entrando em conflitos e até desenvolvendo comportamentos culturais. No entanto, o ser humano atua como um supervisor estratégico que fornece a intenção e define os limites éticos, monitorando e validando cada resultado para garantir que a autonomia da máquina esteja sempre direcionada a um propósito útil, seguro e alinhado aos interesses humanos.

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Destarte, diante de uma rede social onde os humanos assumem o papel de meros espectadores, enquanto a IA gera um fluxo incessante de informações e soluções, surge um desafio imperativo que transcende a técnica. Como criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus, nossa responsabilidade não pode ser reduzida à passividade (cf. Gn 1,26-27).  O avanço tecnológico, embora promissor, deve ser confrontado com o ideal de desenvolvimento humano integral, evitando que a inovação se torne uma forma de alienação, profeticamente censurada pela encíclica Populorum Progressio (cf. PP, 28-29). O ser humano jamais deve aceitar a condição de figurante em um sistema criado por suas próprias mãos, sob o risco de converter a tecnologia em pão e circo sofisticado, que seduz os sentidos, mas esvazia o propósito existencial.

Enfim, o verdadeiro progresso não consiste em apenas acompanhar a velocidade dos resultados gerados pelos algoritmos, mas em exercer o domínio ético sobre a máquina. É urgente questionar quais interesses sustentam uma estrutura que busca tornar o homem comum alienado de sua própria essência. O discernimento cristão nos convoca a garantir que toda inovação esteja alinhada às verdades do Evangelho e à vocação transcendental do homem. Em vez de apenas correr atrás de uma inovação cega e autômata, devemos reassumir nosso papel de administradores da criação, assegurando que a técnica sirva à humanização e não ao obscurecimento da dignidade humana.

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